Arquivo Fotográfico do CHULC

Memória dos Hospitais Civis
Um jogo de futebol em 1969

Nos últimos 40-50 anos assistimos a transformações radicais no comportamento social da humanidade. Não sendo este o local próprio para aprofundar esta asserção, registemos, apenas, o Maio de 68, a informática, os anticoncecionais, a globalização e, em Portugal, o 25 de Abril e a descolonização.

E isso atingiu tanto a sociedade no seu todo, como os pequenos grupos sociais congregados por uma causa comum.

Vem isto a propósito do que foram os Hospitais Civis de Lisboa no decorrer do século XX. O corpo médico de então estava imbuído do chamado “espírito dos HCL”, e tudo servia de pretexto para acamaradar: almoços, passeio, jogos de futebol.

Em 5 de junho de 1969, no estádio Universitário de Lisboa, defrontaram-se duas equipas, uma do Serviço 3 de Medicina, cujo diretor era Valadas Preto, e outra – com alguns reforços – dos Serviços de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital dos Capuchos. Após renhida disputa, Medicina ganhou por 4-2.

Esta fotografia, cedida por Ferreira de Almeida, chefe do Serviço 3 de Medicina, foi obtida ao intervalo do referido desafio e regista a “reanimação” e tratamento de uma cãibra de um dos reforços da equipa médica.

Quase todos os “jogadores” de então vieram a desempenhar lugares de chefia na carreira médica hospitalar.

As duas “vitimas”, vencidas pela exaustão, são, à esquerda, de bruços, António Pereira Gonçalves, neurocirurgião, mais tarde incluído no corpo clínico do Hospital Militar da Estrela, e, à direita, a ser “reanimado”, Ângelo Sequeira, obstetra e ginecologista. Quem maneja o ambu e “massaja” o coração desta vítima é Silva Santos, que foi chefe do Serviço de Neurocirurgia dos HCL. A tratar da cãibra, Orlando Leitão, que veio a ser diretor do Serviço de Neurologia do Hospital Egas Moniz e uma figura muito respeitada pelos seus pares.

Na segunda fila, de cócoras, da esquerda para a direita, Mário Apolinário, depois neurologista em Faro, Carlos Macedo, neurologista, que viria ser secretário de Estado da Saúde e ministro dos Assuntos Sociais, e Ilídio Diogo, que seria diretor do serviço de Medicina 3 do Hospital dos Capuchos.

Na última fila: Cabral Beirão, neurologista, alguns anos depois diretor de serviço no Hospital dos Capuchos, Januário de Melo, patologista clínico, que dirigiu o laboratório de análises específico do Serviço 3, Jorge Manaças, neurocirurgião, que chegou a ser candidato à Presidência da República, Delgado da Rocha, que viria a ser diretor de Medicina Física e de Reabilitação no Hospital dos Capuchos, Manuel Martins, neurocirurgião, que veio a ocupar vaga como chefe de serviço do Hospital Egas Moniz, Ferreira de Almeida, um clínico notável que foi diretor do Serviço 3, António Costa Quinta, internista, Nobre Góis, internista do Serviço 3 e Mário Andrea (um reforço) que seria professor catedrático de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Luiz Damas Mora,
presidente da Comissão do Património Cultural do CHULC

Memória dos Hospitais Civis II

Natal no Banco de S. José

 

A casa de jantar do Banco de S. José era um importante factor de convívio e de união das equipas de urgência.
Nesta fotografia dos anos 50 do século XX celebra-se a noite de Natal, longe das famílias.
O chefe de equipa era Jaime Celestino da Costa1, professor da Faculdade de Medicina.
Reconhecem-se, plano mais próximo: Lima das Neves, Diamantino Lopes, Adolfo Otero, Avelino Espinheira, Horácio Menano, Luis Alpoim e Jacques Resina. No plano mais distante: Fernanda Paulo, Machado Macedo, Fernanda Sampayo, João de Castro e Correia da Silva.

Luiz Damas Mora,
presidente da Comissão do Património Cultural do CHULC

1 (adaptado de Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Celestino_da_Costa) Jaime Augusto Croner Celestino da Costa (Lisboa, 16 de setembro de 1915 — 2 de fevereiro de 2010) foi figura marcante da medicina do século XX. Iniciou a sua formação pós-graduada nos Hospitais Civis, particularmente na urgência do Hospital de S. José. Foi médico e diretor de serviço no Hospital de Santa Maria e,
de 1941 a 1985, professor na Faculdade de Medicina de Lisboa, a mesma em que se licenciou (1938) e doutorou (1948) com a tese “A Parede Arterial”. Cirurgião distinto, foi um dos pioneiros da cirurgia cardiotorácica em Portugal.

Memória dos Hospitais Civis
Um jogo de futebol em 1969

Nos últimos 40-50 anos assistimos a transformações radicais no comportamento social da humanidade. Não sendo este o local próprio para aprofundar esta asserção, registemos, apenas, o Maio de 68, a informática, os anticoncecionais, a globalização e, em Portugal, o 25 de Abril e a descolonização.

E isso atingiu tanto a sociedade no seu todo, como os pequenos grupos sociais congregados por uma causa comum.

Vem isto a propósito do que foram os Hospitais Civis de Lisboa no decorrer do século XX. O corpo médico de então estava imbuído do chamado “espírito dos HCL”, e tudo servia de pretexto para acamaradar: almoços, passeio, jogos de futebol.

Em 5 de junho de 1969, no estádio Universitário de Lisboa, defrontaram-se duas equipas, uma do Serviço 3 de Medicina, cujo diretor era Valadas Preto, e outra – com alguns reforços – dos Serviços de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital dos Capuchos. Após renhida disputa, Medicina ganhou por 4-2.

Esta fotografia, cedida por Ferreira de Almeida, chefe do Serviço 3 de Medicina, foi obtida ao intervalo do referido desafio e regista a “reanimação” e tratamento de uma cãibra de um dos reforços da equipa médica.

Quase todos os “jogadores” de então vieram a desempenhar lugares de chefia na carreira médica hospitalar.

As duas “vitimas”, vencidas pela exaustão, são, à esquerda, de bruços, António Pereira Gonçalves, neurocirurgião, mais tarde incluído no corpo clínico do Hospital Militar da Estrela, e, à direita, a ser “reanimado”, Ângelo Sequeira, obstetra e ginecologista. Quem maneja o ambu e “massaja” o coração desta vítima é Silva Santos, que foi chefe do Serviço de Neurocirurgia dos HCL. A tratar da cãibra, Orlando Leitão, que veio a ser diretor do Serviço de Neurologia do Hospital Egas Moniz e uma figura muito respeitada pelos seus pares.

Na segunda fila, de cócoras, da esquerda para a direita, Mário Apolinário, depois neurologista em Faro, Carlos Macedo, neurologista, que viria ser secretário de Estado da Saúde e ministro dos Assuntos Sociais, e Ilídio Diogo, que seria diretor do serviço de Medicina 3 do Hospital dos Capuchos.

Na última fila: Cabral Beirão, neurologista, alguns anos depois diretor de serviço no Hospital dos Capuchos, Januário de Melo, patologista clínico, que dirigiu o laboratório de análises específico do Serviço 3, Jorge Manaças, neurocirurgião, que chegou a ser candidato à Presidência da República, Delgado da Rocha, que viria a ser diretor de Medicina Física e de Reabilitação no Hospital dos Capuchos, Manuel Martins, neurocirurgião, que veio a ocupar vaga como chefe de serviço do Hospital Egas Moniz, Ferreira de Almeida, um clínico notável que foi diretor do Serviço 3, António Costa Quinta, internista, Nobre Góis, internista do Serviço 3 e Mário Andrea (um reforço) que seria professor catedrático de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Luiz Damas Mora,
presidente da Comissão do Património Cultural do CHULC

Memória dos Hospitais Civis II

Natal no Banco de S. José

 

A casa de jantar do Banco de S. José era um importante factor de convívio e de união das equipas de urgência.
Nesta fotografia dos anos 50 do século XX celebra-se a noite de Natal, longe das famílias.
O chefe de equipa era Jaime Celestino da Costa1, professor da Faculdade de Medicina.
Reconhecem-se, plano mais próximo: Lima das Neves, Diamantino Lopes, Adolfo Otero, Avelino Espinheira, Horácio Menano, Luis Alpoim e Jacques Resina. No plano mais distante: Fernanda Paulo, Machado Macedo, Fernanda Sampayo, João de Castro e Correia da Silva.

Luiz Damas Mora,
presidente da Comissão do Património Cultural do CHULC

1 (adaptado de Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Celestino_da_Costa) Jaime Augusto Croner Celestino da Costa (Lisboa, 16 de setembro de 1915 — 2 de fevereiro de 2010) foi figura marcante da medicina do século XX. Iniciou a sua formação pós-graduada nos Hospitais Civis, particularmente na urgência do Hospital de S. José. Foi médico e diretor de serviço no Hospital de Santa Maria e,
de 1941 a 1985, professor na Faculdade de Medicina de Lisboa, a mesma em que se licenciou (1938) e doutorou (1948) com a tese “A Parede Arterial”. Cirurgião distinto, foi um dos pioneiros da cirurgia cardiotorácica em Portugal.

A última operação de grande cirurgia no Hospital do Desterro, que foi encerrado no ano seguinte, realizou-se no dia 31 de Outubro de 2006, fechando-se assim um ciclo que se iniciara cerca de 150 anos antes.

A intervenção foi uma cistectomia radical, com conducto ileal.

O cirurgião foi Almeida Santos (à direita) e teve a colaboração de Cabrita Carneiro (filho), Catarina Gameiro e Enfermeira Juliana João. A anestesista, que não figura na fotografia, foi Andrea Hass.