CHULC-HDE em estudo do Instituto Gulbenkian de Ciência para criar nova geração de testes à Covid-19

O Centro Hospitalar de Universitário de Lisboa Central, através da Unidade de Infecciologia do Hospital de Dona Estefânia, participa num estudo do Instituto Gulbenkian de Ciência destinado a permitir a utilização da saliva como meio de diagnóstico para a Covid-19.
A investigação, considerada pelo IGC como “muito promissora”, envolve igualmente o Hospital Fernando da Fonseca e visa uma solução menos invasiva do que os atuais testes com recurso a zaragatoas, procedimento que representa incomodidade para crianças e adolescentes, representando ainda ganhos na capacidade de testagem e na redução dos custos associados à realização das análises.

Maria João Brito, médica responsável pela Infecciologia no HDE, realçou de acordo com a agência Lusa que a utilização de zaragatoas para diagnosticar a covid-19 “é uma técnica desconfortável para a criança e adolescente e exige pessoal experiente com treino, pelo que nem sempre é fácil de realizar”.

“Estamos com muita esperança de que este teste possa permitir mudar o método de colheita. Faria uma grande diferença, porque quanto mais pequenas são as crianças, mais desagradável é o teste, e as mais pequeninas têm mesmo de ser imobilizadas, mesmo usando zaragatoas pediátricas, que são mais fininhas”, disse Maria João Brito, ao semanário Expresso.

“Estamos a recorrer a amostras de casos positivos da doença covid-19 e a confirmar que a saliva pode ser usada eficazmente no rastreio de SARS-CoV-2 em todas as faixas etárias, podendo aumentar a testagem e aproximarmo-nos de uma situação de autoavaliação em casa, que seria um cenário ideal para diminuir a circulação do vírus”, diz, citada no comunicado do IGC, Maria João Amorim, a investigadora que lidera o estudo.

Até ao momento, o procedimento “foi validado em cerca de 80 pessoas hospitalizadas onde, entre outros, se comparou a eficácia da saliva face à amostra nasofaríngea, tendo sido obtidos resultados muito promissores”, refere o IGC. O estudo prevê testar um total de 300 pessoas, 33% das quais infetadas, de todas as faixas etárias.

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