Hospital Curry Cabral

Iniciada em 1902, por Despacho Ministerial de 8 de Novembro, nos terrenos onde existia o “Recolhimento da Associação das Servitas de Nossa Senhora das Dores”, a construção do Hospital de Curry Cabral, só terá sido possível com o financiamento, no valor de trezentos contos, concedido pela Caixa Geral de Depósitos.
Seguindo as teorias mais avançadas da época para a concepção de hospitais, é projectado e construído numa estrutura pavilionar, constituída por 22 pavilhões autónomos e uma lotação de 728 camas especializadas em doenças infecciosas, o Hospital de Curry Cabral.

A construção fica concluída em Dezembro de 1904 e recebe, em Janeiro de 1906, os seus primeiros doentes, transferidos do Hospital Rainha D. Amélia e de outros hospitais (doentes tuberculosos e, posteriormente, outros doentes infecto-contagiosos).
Então designado por Hospital de Doenças Infecto-contagiosas – devido à sua vocação – ou Hospital do Rêgo – por via da sua localização – é integrado, em 1913, no Grupo Hospitais Civis de Lisboa, que agrega os hospitais de Dona Estefânia, Santa Marta, Arroios, São José e Capuchos/Desterro, sendo rebaptizado, em 1929, com o nome de Hospital de Curry Cabral, em homenagem ao seu fundador, o Enfermeiro-Mor José Curry da Câmara Cabral.

Com a publicação, em Julho de 1978, do Regulamento dos Hospitais Civis de Lisboa, a sua filosofia passa de Hospital especializado em doenças infecciosas a Hospital Geral Central, com autonomia administrativa e financeira, a partir de 1989.

A partir da segunda metade da década de noventa, o Hospital, praticamente intacto desde a sua construção e em estado de franca degradação das suas infra-estruturas, inicia uma fase de modernização das suas instalações e equipamentos.

De facto, o Hospital de Curry Cabral tem sofrido transformações profundas na sua estrutura, organização e funcionamento, nos últimos 15 anos.

A desintegração dos Hospitais Civis de Lisboa abriu espaço a um desenvolvimento autónomo das unidades que compunham o Grupo e, também do Hospital Curry Cabral, que por razões históricas e conjunturais, assumiu um caminho muito próprio e claramente separado dos restantes hospitais.

Em Fevereiro de 1992, passa a dispor de um Serviço de Urgência próprio, médico-cirúrgico e ortopédico.

Em Junho de 1998 é inaugurado um novo edifício, dedicado à actividade de urgência, embrião de uma nova construção mais ambiciosa, que hoje alberga já mais de 60% da capacidade de internamento, em instalações novas e funcionais.

É nesta fase que é integrada a valência de Cardiologia e de Psiquiatria, esta actualmente dependente do Centro Hospitalar de Psiquiatria de Lisboa.

É de salientar o grande desenvolvimento operado na área da Transplantação Hepato-biliar, que é hoje considerado o maior centro do seu género no país e, provavelmente, no mundo.

Na área da Infecciologia, o Hospital dispõe de um dos maiores centros nacionais para o VIH e de uma Unidade de Internamento com 14 quartos de isolamento de pressão negativa, sendo referência nacional para a Pandemia da Gripe e do vírus Ébola. Para apoio a esta área, o Serviço de Patologia Clínica dispõe de um laboratório altamente diferenciado.

Destacam-se, ainda, os Cuidados Intensivos e a Nefrologia, o que faz com que o Hospital detenha um dos mais elevados níveis de complexidade na prestação de cuidados de saúde dos Hospitais Portugueses.

Embora vocacionado, originalmente, para as chamadas doenças infecto-contagiosas (primeira década do séc. XX), o HCC é hoje uma unidade polivalente, que apresenta níveis de diferenciação e qualidade de referência a nível nacional, designadamente:

  • Na Transplantação Hepática – o maior centro do país e uma unidade de excelência, no contexto nacional e europeu, e no diagnóstico e terapêutica das doenças hepato-bilio-pancreáticas em geral;
  • Na área da Infecciologia – um dos maiores centros nacionais para o tratamento da infecção por VIH e referência nacional para a pandemia da gripe e do vírus Ébola, com 14 quartos de isolamento respiratório;
  • Na Nefrologia – um centro nacional de referência e que polariza, na supervisão e tratamento diferenciado, um conjunto vasto de Centros de Diálise da Zona Metropolitana de Lisboa;
  • Na Ortopedia – pela qualidade e diferenciação dos seus médicos, sendo um centro de referência nacional para o diagnóstico e tratamento das escolioses;
  • Na Endocrinologia, com programas de grande actualidade e relevo na área da Tiróide, Obesidade e Diabetes, entre outras;
  • Na Medicina Física e Reabilitação – pela competência dos seus profissionais e diversidade técnica das respostas, sendo o único serviço com internamento, na área Metropolitana de Lisboa, pertencente ao SNS;
  • Nos Cuidados Intensivos – dispondo de uma unidade polivalente de 18 camas, com elevada diferenciação da sua casuística e excelentemente instalada e equipada;

E, em geral, uma unidade hospitalar dotada de serviços e profissionais altamente diferenciados numa cultura de forte humanização e qualidade na prestação de cuidados, e aberta à comunidade que serve.
Em Abril de 2010, com a publicação do Decreto-Lei n.º 21 de 24 de Março, o Hospital vê o seu estatuto de sector público – administrativo alterado, tendo passado a entidade pública empresarial.

A 27 de Dezembro de 2011 é encerrado o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico e Psiquiátrico, passando o mesmo a ser realizado no Serviço de Urgência do CHLC. Conjuntamente foi encerrada também a Unidade de Intervenção Vascular.

A 01 de Março de 2012, o Decreto-Lei n.º 44/2012 de 23 de Fevereiro entra em vigor e altera a composição do Centro Hospitalar de Lisboa Central – CHLC, EPE integrando outros dois hospitais: o Hospital de Curry Cabral, EPE e a Maternidade Dr. Alfredo da Costa – SPA.