História

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE foi criado em 28 de Fevereiro de 2007 através do Decreto-lei 50-A/ 2007 e juntou o Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central – Hospitais de S. José e Hospital de Santo António dos Capuchos – e os Hospitais de Santa Marta e de D. Estefânia.

O Decreto-Lei nº44/2012 de 23 de Fevereiro de 2012 procede à extinção e integração por fusão no Centro Hospitalar de Lisboa Central, E. P. E., do Hospital de Curry Cabral, E. P. E., e da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

A história destes hospitais remonta ao longínquo século XV e nasce no Hospital de Todos-os-Santos pelo que é por aí que deve começar esta história.

Com o terramoto de 1755 e a destruição de Todos-os-Santos surge o Hospital de S. José que, durante o final do século XIX e inicio do século XX, veio a agregar em torno de si um conjunto de outros hospitais dando origem inicialmente ao grupo H.S. José e Annexos e posteriormente ao grupo Hospitais Civis de Lisboa (HCL) em 1913.

Em 1989 deu-se a separação dos Hospitais Civis de Lisboa em diferentes hospitais mantendo-se como único grupo, o Subgrupo Hospitalar Capuchos, Desterro e Arroios.

O Hospital dos Capuchos passou a dispor de Serviço de Urgência em 1991 na sequência do processo de descentralização do Serviço Comum de Urgência dos HCL, localizado no Hospital de S. José.

A necessidade de potenciar, através de uma gestão comum, as capacidades disponíveis nas unidades hospitalares e para dar resposta a insuficiências múltiplas de rentabilização de recursos originou a criação do Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central (CHL-ZC), através da Portaria n.º 115-A/2004 de 30 de Janeiro. Foram assim extintos o Hospital de São José e o subgrupo hospitalar Capuchos, Desterro, Arroios.

Durante todo este processo foram encerrados os Hospitais de Arroios e do Desterro.

Se esta foi a história de como surgiu o actual Centro também importa conhecer a história de cada um dos hospitais que o constituem.

A Companhia de Jesus veio para Portugal pouco tempo depois da sua fundação, chamada por D. João III, que lhe destinou o Convento de Santo Antão, à Mouraria, onde é fundado, em 1552, o primeiro colégio dos Jesuítas em todo o mundo.

O êxito destes primeiros estudos públicos abertos no nosso País tornou o espaço de Santo Antão insuficiente e lançou a Companhia de Jesus num grande empreendimento que, com a protecção do Cardeal D. Henrique (1512-80), veio a tornar-se no Colégio de Santo Antão-o-Novo.

Começado a construir em 1579, com um projecto grandioso do Arq. Baltazar Álvares veio a ter projecto definitivo de Filipe Terzi e foi solenemente inaugurado em 8 de Novembro de 1593.

Situado no Campo de Sant’Ana, sobranceiro ao Rossio, o Colégio de Santo Antão-o-Novo, classificado como imóvel de interesse público pelo Dec-Lei 8/83, de 24 de Janeiro, seria completado com uma grandiosa igreja, iniciada em 1613 e terminada em 31 de Julho de 1652, dia de Santo Inácio de Loyola e uma formosíssima sacristia, ambas devidas maioritariamente às liberalidades da Condessa de Linhares, D. Filipa de Sá.

A sacristia, da autoria do Arq. João Antunes construída entre 1696 e 1700 ainda hoje existe praticamente intacta, é monumento nacional pelo Dec.- Lei 22 502, de 10 de Maio de 1933, e é a actual capela do Hospital de S. José.

Em pleno século XVIII assiste-se à saída dos Jesuítas do nosso país e o então célebre Colégio de Santo Antão-o-Novo passa a abrigar os doentes provenientes do Hospital de Todos-os-Santos então destruído pelo terramoto de 1755.

Assim surge o Hospital Real de S. José.

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O Hospital de Santo António dos Capuchos encontra-se instalado no centro de Lisboa, no antigo Campo do Curral, actualmente Campo de Sant’Ana, tendo sido criado oficialmente em 1928.

O hospital encontra-se instalado no centro de Lisboa, no antigo Campo do Curral, actualmente Campo de Sant’Ana.

O edifício principal do hospital resulta de várias transformações que sofreu o antigo Convento de Santo António dos Capuchos inaugurado em 1579 e entregue aos Padres Recoletos da Custódia de Santo António. Este convento, que foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755, sofreu várias transformações ao longo dos séculos. Em 1836, a rainha D. Maria II fundou nas suas instalações o Asilo de Mendicidade de Lisboa. O espaço ocupado pelo Asilo foi aumentado à conta da construção de vários pavilhões e pela compra, em 1854, do Palácio dos Condes de Murça, datado do século XVII.

O Convento de Santa Marta, fundado no Séc. XVI, começou a funcionar ao serviço da saúde em 1890 pelo que passou a ter a designação de Hospício dos Clérigos Pobres.

Em 1910 foi atribuída oficialmente ao Hospital de Santa Marta a função de Escola Médico Cirúrgica de Lisboa assumindo um importante papel no ensino da Medicina em Lisboa.

O Convento de Santa Marta, fundado no Séc. XVI, começou a funcionar ao serviço da saúde em 1890 pelo que passou a ter a designação de Hospício dos Clérigos Pobres.

Criado para a acolher e tratar as vítimas da Grandes Peste de Lisboa ocorrida em 1569. Existindo primeiro como Recolhimento de Santa Marta de Jesus e anos mais tarde, já no século XVII, como Convento do mesmo nome.

De arquitectura maneirista, com um projecto inicial de Nicolau de Frias, o convento foi construído a partir de 1612. Sobressaem do seu conjunto, o claustro, a igreja e a Sala do Capítulo, para além de uma impressionante obra da azulejaria portuguesa seiscentista e setecentista. O claustro e a igreja conservam hoje intacta a sua estrutura original.

A história do Hospital de Dona Estefânia pode, como qualquer outra, ser contada sob vários aspectos: evidenciando a história da Pediatria em Portugal, a de pediatras ilustres ou a história do edifício, a qual tem sido pouco divulgada.
As fontes são escassas, dispersas ou escondem-se na poeira dos tempos e dos arquivos, de tal modo camufladas que, ao prazer e interesse do desafio se sobrepõe o árduo da tarefa. Como pediatras, na era da tecnologia e à beira do século XXI preferimos, orgulhosamente, prestar homenagem ao rigor técnico que presidiu à construção deste hospital, fundado há 136 anos. Dom Pedro V “O Esperançoso”, foi talvez dos reis mais amados.

Especialmente educado para reinar, homem culto e inteligente, por quem Alexandre Herculano chorou, Dom Pedro casou com uma princesa também culta, delicada e sensível, pertencente à casa de Hohenzollern, vinda de Sigmaringen, ducado da Germânia. Lisboa tinha nesta época, cerca de 200.000 habitantes. Era um período de epidemias de cólera e febre amarela e, o casal real, visitava frequentemente os doentes hospitalizados. Numa dessas visitas ao Hospital de S. José, impressionada com a promiscuidade com que na mesma enfermaria eram tratadas crianças e adultos, a Rainha ofereceu o seu dote de casamento para que aí fosse criada uma enfermaria para aquelas, e manifestou o desejo de construir um hospital para crianças pobres e enfermas.

A morte prematura da Rainha em 1859, não permitiu ver realizado este sonho mas, em sua memória, Dom Pedro V fundou o Hospital da Bemposta em 1860 e iniciou a sua construção. Também o malogrado rei não viria a conhecer o resultado do seu empenhamento. Falecido em 1861, o seu irmão o Rei Dom Luíz deu continuidade à obra e inaugurou o Hospital da Bemposta em 1877, a 17 de Julho, dia da morte da Rainha. Cinco anos antes cedeu o Hospital ao Estado, “com todos os direitos de propriedade e todas as suas pertenças” – Diário do Governo de 23 de Junho de 1872. O povo encarregar-se-ia de prestar a própria homenagem à Rainha que tanto amara, denominando-o definitivamente Hospital de Dona Estefânia. A sua construção foi primorosamente planeada. Como se disse, Dom Pedro V era um rei moderno, viajado e muito culto.
Relacionado com as mais ilustres casas reais da Europa com as quais aliás, tinha laços familiares e com quem se corresponde assiduamente, o Rei solicitou pareceres sobre projectos e plantas hospitalares, elaboradas por técnicos competentes e autorizados sobre o assunto e remetidas dos mais variados locais, nomeadamente Londres, Berlim e Paris.
Em Lisboa, nomeou uma Comissão a que presidia, constituída por Bernardino António Gomes, médico da Real Câmara, lente da Escola Médico-Cirúrgica e presidente da Sociedade de Ciências Médicas, pelos médicos Barral, Kessler, Simas e, ainda, pelo Conde da Ponte, par do reino e vedor da casa real portuguesa e pelo General Filipe Folque, cientista e Director-geral dos Trabalhos Geodésicos. O projecto escolhido foi o desenhado por Humbert, arquitecto da casa real inglesa o que muito agradou a seu tio, o Príncipe Alberto.

Iniciada em 1902, por Despacho Ministerial de 8 de Novembro, nos terrenos onde existia o “Recolhimento da Associação das Servitas de Nossa Senhora das Dores”, a construção do Hospital de Curry Cabral, só terá sido possível com o financiamento, no valor de trezentos contos, concedido pela Caixa Geral de Depósitos.
Seguindo as teorias mais avançadas da época para a concepção de hospitais, é projectado e construído numa estrutura pavilionar, constituída por 22 pavilhões autónomos e uma lotação de 728 camas especializadas em doenças infecciosas, o Hospital de Curry Cabral.

A construção fica concluída em Dezembro de 1904 e recebe, em Janeiro de 1906, os seus primeiros doentes, transferidos do Hospital Rainha D. Amélia e de outros hospitais (doentes tuberculosos e, posteriormente, outros doentes infecto-contagiosos).
Então designado por Hospital de Doenças Infecto-contagiosas – devido à sua vocação – ou Hospital do Rêgo – por via da sua localização – é integrado, em 1913, no Grupo Hospitais Civis de Lisboa, que agrega os hospitais de Dona Estefânia, Santa Marta, Arroios, São José e Capuchos/Desterro, sendo rebaptizado, em 1929, com o nome de Hospital de Curry Cabral, em homenagem ao seu fundador, o Enfermeiro-Mor José Curry da Câmara Cabral.

Com a publicação, em Julho de 1978, do Regulamento dos Hospitais Civis de Lisboa, a sua filosofia passa de Hospital especializado em doenças infecciosas a Hospital Geral Central, com autonomia administrativa e financeira, a partir de 1989.

A partir da segunda metade da década de noventa, o Hospital, praticamente intacto desde a sua construção e em estado de franca degradação das suas infra-estruturas, inicia uma fase de modernização das suas instalações e equipamentos.

De facto, o Hospital de Curry Cabral tem sofrido transformações profundas na sua estrutura, organização e funcionamento, nos últimos 15 anos.

Consta que a obra especial de protecção e defesa da mulher grávida terá tido início no ano de 1755, após o terramoto que destruiu mais de metade da cidade de Lisboa. Um dos edifícios destruídos, não só pelo terramoto mas também pelo incêndio subsequente, foi o Hospital de Todos os Santos cujos enfermos tiveram de ser transferidos para o Colégio de Santo Antão.
Este edifício fora em tempos a principal casa dos Jesuítas, tendo sido confiscada, com todos os outros bens, em execução do Decreto Pombalino que os expulsara do reino. O edifício do Colégio de Santo Antão viria a ser convertido no Hospital Real de São José.