História
O Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE foi criado em 28 de Fevereiro de 2007 através do Decreto-lei 50-A/ 2007 e juntou o Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central – Hospitais de S. José e Hospital de Santo António dos Capuchos – e os Hospitais de Santa Marta e de D. Estefânia.
O Decreto-Lei nº44/2012 de 23 de Fevereiro de 2012 procede à extinção e integração por fusão no Centro Hospitalar de Lisboa Central, E. P. E., do Hospital de Curry Cabral, E. P. E., e da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.
A história destes hospitais remonta ao longínquo século XV e nasce no Hospital de Todos-os-Santos pelo que é por aí que deve começar esta história.
Com o terramoto de 1755 e a destruição de Todos-os-Santos surge o Hospital de S. José que, durante o final do século XIX e inicio do século XX, veio a agregar em torno de si um conjunto de outros hospitais dando origem inicialmente ao grupo H.S. José e Annexos e posteriormente ao grupo Hospitais Civis de Lisboa (HCL) em 1913.
Em 1989 deu-se a separação dos Hospitais Civis de Lisboa em diferentes hospitais mantendo-se como único grupo, o Subgrupo Hospitalar Capuchos, Desterro e Arroios.
O Hospital dos Capuchos passou a dispor de Serviço de Urgência em 1991 na sequência do processo de descentralização do Serviço Comum de Urgência dos HCL, localizado no Hospital de S. José.
A necessidade de potenciar, através de uma gestão comum, as capacidades disponíveis nas unidades hospitalares e para dar resposta a insuficiências múltiplas de rentabilização de recursos originou a criação do Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central (CHL-ZC), através da Portaria n.º 115-A/2004 de 30 de Janeiro. Foram assim extintos o Hospital de São José e o subgrupo hospitalar Capuchos, Desterro, Arroios.
Durante todo este processo foram encerrados os Hospitais de Arroios e do Desterro.
Se esta foi a história de como surgiu o actual Centro também importa conhecer a história de cada um dos hospitais que o constituem.
A Companhia de Jesus veio para Portugal pouco tempo depois da sua fundação, chamada por D. João III, que lhe destinou o Convento de Santo Antão, à Mouraria, onde é fundado, em 1552, o primeiro colégio dos Jesuítas em todo o mundo.
O êxito destes primeiros estudos públicos abertos no nosso País tornou o espaço de Santo Antão insuficiente e lançou a Companhia de Jesus num grande empreendimento que, com a protecção do Cardeal D. Henrique (1512-80), veio a tornar-se no Colégio de Santo Antão-o-Novo.
Começado a construir em 1579, com um projecto grandioso do Arq. Baltazar Álvares veio a ter projecto definitivo de Filipe Terzi e foi solenemente inaugurado em 8 de Novembro de 1593.
Situado no Campo de Sant’Ana, sobranceiro ao Rossio, o Colégio de Santo Antão-o-Novo, classificado como imóvel de interesse público pelo Dec-Lei 8/83, de 24 de Janeiro, seria completado com uma grandiosa igreja, iniciada em 1613 e terminada em 31 de Julho de 1652, dia de Santo Inácio de Loyola e uma formosíssima sacristia, ambas devidas maioritariamente às liberalidades da Condessa de Linhares, D. Filipa de Sá.
A sacristia, da autoria do Arq. João Antunes construída entre 1696 e 1700 ainda hoje existe praticamente intacta, é monumento nacional pelo Dec.- Lei 22 502, de 10 de Maio de 1933, e é a actual capela do Hospital de S. José.
Em pleno século XVIII assiste-se à saída dos Jesuítas do nosso país e o então célebre Colégio de Santo Antão-o-Novo passa a abrigar os doentes provenientes do Hospital de Todos-os-Santos então destruído pelo terramoto de 1755.
Assim surge o Hospital Real de S. José.
Pouco se sabe da organização interna e do movimento assistencial neste fim do Séc. XVIII, descontando a circunstância de o Hospital de S. José, na esteira de Todos-os-Santos, ter continuado a ser a grande escola de cirurgia do País.
Como culminar de tal tradição e por grande empenhamento do grande cirurgião Manoel Constâncio surge, em 1825, a Real Escola de Cirurgia por Decreto de D. João VI, que veio a dar origem à Escola Médico-cirúrgica de Lisboa.
Em 1844 o Hospital Real de S. José anexa o primeiro de uma longa lista de hospitais – a Gafaria de S. Lázaro. Seguem-se alguns anos depois o Manicómio de Rilhafoles e o Hospital do Desterro dando origem ao Hospital Real de S. José e Annexos. A pouco e pouco outros hospitais se juntam. O Hospital de D. Estefânia em 1877, o de Arroios em 1892 e o de Santa Marta em 1903. Em 1906, o Hospital de Curry Cabral e, em 1928, o Hospital de Santo António dos Capuchos. Fica então completo o grupo “Hospitais Civis de Lisboa” (HCL), designação esta que se tornou efectiva em 1913.
A Escola de Cirurgia, o Banco de Urgência e grandes nomes da medicina portuguesa foram referências do Hospital Real de S. José e Anexos.
Os HCL foram uma escola médica extremamente exigente para a formação post-graduada dos médicos que neles procuravam especializar-se. Caracterizada por uma selecção rigorosa de quem concorria aos seus quadros marcou de forma o panorama da saúde em Portugal durante grande parte do século XX.
O Hospital de S. José viu nascer novas especialidades como a Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, a Cirurgia Maxilo-Facial e as primeiras unidades de Cuidados Intensivos, de Queimados, de Neurotraumatologia e Vertebro-Medular.
Nos últimos anos o Hospital tem vindo a modernizar-se com os limites decorrentes da sua origem conventual. Tal como em todos os outros hospitais do grupo nele se pratica uma medicina moderna em edifícios velhos e reconstruídos. Juntando ciência e arte naquele que é um dos mais importantes monumentos de Lisboa.
O Hospital de Santo António dos Capuchos encontra-se instalado no centro de Lisboa, no antigo Campo do Curral, actualmente Campo de Sant’Ana, tendo sido criado oficialmente em 1928.
O hospital encontra-se instalado no centro de Lisboa, no antigo Campo do Curral, actualmente Campo de Sant’Ana.
O edifício principal do hospital resulta de várias transformações que sofreu o antigo Convento de Santo António dos Capuchos inaugurado em 1579 e entregue aos Padres Recoletos da Custódia de Santo António. Este convento, que foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755, sofreu várias transformações ao longo dos séculos. Em 1836, a rainha D. Maria II fundou nas suas instalações o Asilo de Mendicidade de Lisboa. O espaço ocupado pelo Asilo foi aumentado à conta da construção de vários pavilhões e pela compra, em 1854, do Palácio dos Condes de Murça, datado do século XVII.
Esta evolução histórica da estrutura física do hospital justifica a dispersão dos diversos serviços por vários edifícios. Tal facto levou a que o Hospital tenha crescido condicionado pela gestão dos espaços físicos existentes, alguns dos quais considerados património nacional.
O Hospital foi oficialmente criado em 1928 possuindo 9 serviços clínicos à data da sua criação.
Ao longo dos anos várias foram as alterações realizadas de forma a podê-lo adaptar às necessidades de uma medicina mais moderna.
Dotado de um riquíssimo património azulejar em especial na parte correspondente ao antigo Palácio. É ainda neste hospital que se encontra uma dos mais antigos relógios de sol existentes em Portugal.
Foi também neste hospital que em 1930 foi inaugurada a escola de enfermagem Artur Ravara, que até então funcionava no Hospital de São Lázaro.
O hospital detem valências únicas no Centro como o caso da Dermatologia, Hematologia e Oncologia que constituíram todas elas unidades pioneiras no país ao nível das respectivas especialidades.
O Convento de Santa Marta, fundado no Séc. XVI, começou a funcionar ao serviço da saúde em 1890 pelo que passou a ter a designação de Hospício dos Clérigos Pobres.
Em 1910 foi atribuída oficialmente ao Hospital de Santa Marta a função de Escola Médico Cirúrgica de Lisboa assumindo um importante papel no ensino da Medicina em Lisboa.
O Convento de Santa Marta, fundado no Séc. XVI, começou a funcionar ao serviço da saúde em 1890 pelo que passou a ter a designação de Hospício dos Clérigos Pobres.
Criado para a acolher e tratar as vítimas da Grandes Peste de Lisboa ocorrida em 1569. Existindo primeiro como Recolhimento de Santa Marta de Jesus e anos mais tarde, já no século XVII, como Convento do mesmo nome.
De arquitectura maneirista, com um projecto inicial de Nicolau de Frias, o convento foi construído a partir de 1612. Sobressaem do seu conjunto, o claustro, a igreja e a Sala do Capítulo, para além de uma impressionante obra da azulejaria portuguesa seiscentista e setecentista. O claustro e a igreja conservam hoje intacta a sua estrutura original.
No dia 1 de Novembro de 1755, o sismo, o fogo e o maremoto provocaram a devastação de praticamente dois terços das ruas da cidade. O Convento de Santa Marta foi um de onze entre os sessenta e cinco conventos existentes em Lisboa que, não obstante os danos, se mantiveram habitáveis.
Da Igreja do Convento de Santa Marta, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1946, pouco se encontra visível do seu esplendor original. Predominantemente barroca, foi construída entre os séculos XVII e XVIII. Tem uma planta longitudinal, abrindo a austera fachada principal para a Rua de Santa Marta, de onde são visíveis quatro janelões separados por contrafortes
Em 1890 o edifício foi usado como hospital improvisado para albergar as muitas vítimas de um surto de gripe que alvoroçou a cidade e posteriomente como hospital de doenças venéreas. Veio posteriormente a juntar-se ao Hospital de S. José
Em 1910 foi atribuída oficialmente ao Hospital de Santa Marta a função de Escola Médico Cirúrgica de Lisboa assumindo um importante papel no ensino da Medicina em Lisboa. Manteve esta função até 1953, data em que a clínica universitária é transferida para o recém-criado Hospital de Santa Maria.
Com esta transferência o Hospital de Santa Marta volta a integrar-se no grupo Hospitais Civis de Lisboa onde se manteve até ao final do século XX.
Considerado como uma das principais escolas de Medicina Interna durante a segunda metade do século XX com a figura de Carlos George veio a ganhar uma especial diferenciação na área cardio-vascular com a inovação trazida por Machado Macedo.
Entra no século XXI como um dos principais centros de referência a nível do diagnostico e tratamentos das doenças cardio-vasculares a nível nacional.
A história do Hospital de Dona Estefânia pode, como qualquer outra, ser contada sob vários aspectos: evidenciando a história da Pediatria em Portugal, a de pediatras ilustres ou a história do edifício, a qual tem sido pouco divulgada.
As fontes são escassas, dispersas ou escondem-se na poeira dos tempos e dos arquivos, de tal modo camufladas que, ao prazer e interesse do desafio se sobrepõe o árduo da tarefa. Como pediatras, na era da tecnologia e à beira do século XXI preferimos, orgulhosamente, prestar homenagem ao rigor técnico que presidiu à construção deste hospital, fundado há 136 anos. Dom Pedro V “O Esperançoso”, foi talvez dos reis mais amados.
Especialmente educado para reinar, homem culto e inteligente, por quem Alexandre Herculano chorou, Dom Pedro casou com uma princesa também culta, delicada e sensível, pertencente à casa de Hohenzollern, vinda de Sigmaringen, ducado da Germânia. Lisboa tinha nesta época, cerca de 200.000 habitantes. Era um período de epidemias de cólera e febre amarela e, o casal real, visitava frequentemente os doentes hospitalizados. Numa dessas visitas ao Hospital de S. José, impressionada com a promiscuidade com que na mesma enfermaria eram tratadas crianças e adultos, a Rainha ofereceu o seu dote de casamento para que aí fosse criada uma enfermaria para aquelas, e manifestou o desejo de construir um hospital para crianças pobres e enfermas.
A morte prematura da Rainha em 1859, não permitiu ver realizado este sonho mas, em sua memória, Dom Pedro V fundou o Hospital da Bemposta em 1860 e iniciou a sua construção. Também o malogrado rei não viria a conhecer o resultado do seu empenhamento. Falecido em 1861, o seu irmão o Rei Dom Luíz deu continuidade à obra e inaugurou o Hospital da Bemposta em 1877, a 17 de Julho, dia da morte da Rainha. Cinco anos antes cedeu o Hospital ao Estado, “com todos os direitos de propriedade e todas as suas pertenças” – Diário do Governo de 23 de Junho de 1872. O povo encarregar-se-ia de prestar a própria homenagem à Rainha que tanto amara, denominando-o definitivamente Hospital de Dona Estefânia. A sua construção foi primorosamente planeada. Como se disse, Dom Pedro V era um rei moderno, viajado e muito culto.
Relacionado com as mais ilustres casas reais da Europa com as quais aliás, tinha laços familiares e com quem se corresponde assiduamente, o Rei solicitou pareceres sobre projectos e plantas hospitalares, elaboradas por técnicos competentes e autorizados sobre o assunto e remetidas dos mais variados locais, nomeadamente Londres, Berlim e Paris.
Em Lisboa, nomeou uma Comissão a que presidia, constituída por Bernardino António Gomes, médico da Real Câmara, lente da Escola Médico-Cirúrgica e presidente da Sociedade de Ciências Médicas, pelos médicos Barral, Kessler, Simas e, ainda, pelo Conde da Ponte, par do reino e vedor da casa real portuguesa e pelo General Filipe Folque, cientista e Director-geral dos Trabalhos Geodésicos. O projecto escolhido foi o desenhado por Humbert, arquitecto da casa real inglesa o que muito agradou a seu tio, o Príncipe Alberto.
O edifício original estava dividido em quatro corpos principais, formando cruz e era constituído por dois pisos de enfermarias”… num total de quatro enfermarias, cada uma destinada a 32 camas. Cada enfermaria tinha cerca de 45m de comprimento, 12m de largura e 6m de altura. Estas dimensões proporcionavam a cada doente 60.3 m de espaço cúbico. Havia 20 janelas por enfermaria, 18 nas paredes laterais e 2 num dos topos, cabendo duas camas a cada janela. A ventilação, medida higiénica tão importante no século XIX, era complementada com a existência de aberturas colocadas na parte inferior e superior das paredes e pela aspiração de duas chaminés em cada enfermaria.
As paredes eram em cimento polido e de côr clara e o pavimento em carvalho bem unido, de modo a poder ser envernizado ou polido, tornando-se impermeável e de fácil limpeza. Havia casas de banho com banheiras de mármore,água canalizada e luz a gás de resíduos de petróleo. A preocupação do rigor e da higiene levou a que o primeiro piso fosse construído na sua totalidade sobre abóbadas, a fim de minimizar a humidade e a possibilidade de infecção a partir do solo.
No centro da construção havia um espaçoso claustro, rodeado de 29 arcos de cantaria, no qual foi colocada uma bonita fonte, que ainda hoje se pode ver nos jardins do hospital. Na parte interna do piso superior, ladeando todo o claustro, corria uma galeria destinada ao passeio dos convalescentes. Por estas e outras razões, Florence Nightingale, à época considerada uma autoridade em construção hospitalar, escreveu: ” If children´s hospitals are to be built at all, this is the kind of plan that should be adopted” (in “Notes on Hospitals”). Ainda, segundo a mesma autora, as enfermarias do Hospital da Bemposta serão das mais magníficas da Europa. Bernardino António Gomes explica que: ” esta magnificência não é a do luxo e sumptuosidade mas sim a magnificência da higiene” e considera que: “o hospital da Bemposta tem a elegância, não do fausto, mas a da singeleza e harmonia das formas”. O custo da obra foi avaliado, à época, para cima de 250.000$000 réis, 20.000$000 dos quais foram doados pelo pai da rainha, o príncipe de Hohenzollern.
O local escolhido era propriedade da Casa Real – a parte norte da quinta do paçoreal da Bemposta chamada da “Quinta Velha”, “encosta arejada nos arredores da cidade”,com vegetação abundante, pertencente ao parque real, e espaço suficiente para construções de apoio e jardins. Em mais de 300 anos da história da saúde em Portugal e até à data da inauguração, o Hospital da Bemposta foi a primeira construção hospitalar construída em Lisboa, planeada especificamente para esse efeito. E assim nasceu o Hospital de Dona Estefânia.
Fontes: – Gomes, Bernardino António. Exposição oral, feita perante a Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, na sua sessão de 30 do mez de Maio de 1868. Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, 1870, pp. 353-65 – Diário Ilustrado.
Ed. de 25 de Julho de 1877 – Curry Cabral, José . O Hospital Real de S.José e Anexos. A Editora Limitada, Lisboa, 1915.
Adaptado do artigo publicado no boletim dos HCL’s nº 0 de Dezembro de 1996
Iniciada em 1902, por Despacho Ministerial de 8 de Novembro, nos terrenos onde existia o “Recolhimento da Associação das Servitas de Nossa Senhora das Dores”, a construção do Hospital de Curry Cabral, só terá sido possível com o financiamento, no valor de trezentos contos, concedido pela Caixa Geral de Depósitos.
Seguindo as teorias mais avançadas da época para a concepção de hospitais, é projectado e construído numa estrutura pavilionar, constituída por 22 pavilhões autónomos e uma lotação de 728 camas especializadas em doenças infecciosas, o Hospital de Curry Cabral.
A construção fica concluída em Dezembro de 1904 e recebe, em Janeiro de 1906, os seus primeiros doentes, transferidos do Hospital Rainha D. Amélia e de outros hospitais (doentes tuberculosos e, posteriormente, outros doentes infecto-contagiosos).
Então designado por Hospital de Doenças Infecto-contagiosas – devido à sua vocação – ou Hospital do Rêgo – por via da sua localização – é integrado, em 1913, no Grupo Hospitais Civis de Lisboa, que agrega os hospitais de Dona Estefânia, Santa Marta, Arroios, São José e Capuchos/Desterro, sendo rebaptizado, em 1929, com o nome de Hospital de Curry Cabral, em homenagem ao seu fundador, o Enfermeiro-Mor José Curry da Câmara Cabral.
Com a publicação, em Julho de 1978, do Regulamento dos Hospitais Civis de Lisboa, a sua filosofia passa de Hospital especializado em doenças infecciosas a Hospital Geral Central, com autonomia administrativa e financeira, a partir de 1989.
A partir da segunda metade da década de noventa, o Hospital, praticamente intacto desde a sua construção e em estado de franca degradação das suas infra-estruturas, inicia uma fase de modernização das suas instalações e equipamentos.
De facto, o Hospital de Curry Cabral tem sofrido transformações profundas na sua estrutura, organização e funcionamento, nos últimos 15 anos.
A desintegração dos Hospitais Civis de Lisboa abriu espaço a um desenvolvimento autónomo das unidades que compunham o Grupo e, também do Hospital Curry Cabral, que por razões históricas e conjunturais, assumiu um caminho muito próprio e claramente separado dos restantes hospitais.
Em Fevereiro de 1992, passa a dispor de um Serviço de Urgência próprio, médico-cirúrgico e ortopédico.
Em Junho de 1998 é inaugurado um novo edifício, dedicado à actividade de urgência, embrião de uma nova construção mais ambiciosa, que hoje alberga já mais de 60% da capacidade de internamento, em instalações novas e funcionais.
É nesta fase que é integrada a valência de Cardiologia e de Psiquiatria, esta actualmente dependente do Centro Hospitalar de Psiquiatria de Lisboa.
É de salientar o grande desenvolvimento operado na área da Transplantação Hepato-biliar, que é hoje considerado o maior centro do seu género no país e, provavelmente, no mundo.
Na área da Infecciologia, o Hospital dispõe de um dos maiores centros nacionais para o VIH e de uma Unidade de Internamento com 14 quartos de isolamento de pressão negativa, sendo referência nacional para a Pandemia da Gripe e do vírus Ébola. Para apoio a esta área, o Serviço de Patologia Clínica dispõe de um laboratório altamente diferenciado.
Destacam-se, ainda, os Cuidados Intensivos e a Nefrologia, o que faz com que o Hospital detenha um dos mais elevados níveis de complexidade na prestação de cuidados de saúde dos Hospitais Portugueses.
Embora vocacionado, originalmente, para as chamadas doenças infecto-contagiosas (primeira década do séc. XX), o HCC é hoje uma unidade polivalente, que apresenta níveis de diferenciação e qualidade de referência a nível nacional, designadamente:
- Na Transplantação Hepática – o maior centro do país e uma unidade de excelência, no contexto nacional e europeu, e no diagnóstico e terapêutica das doenças hepato-bilio-pancreáticas em geral;
- Na área da Infecciologia – um dos maiores centros nacionais para o tratamento da infecção por VIH e referência nacional para a pandemia da gripe e do vírus Ébola, com 14 quartos de isolamento respiratório;
- Na Nefrologia – um centro nacional de referência e que polariza, na supervisão e tratamento diferenciado, um conjunto vasto de Centros de Diálise da Zona Metropolitana de Lisboa;
- Na Ortopedia – pela qualidade e diferenciação dos seus médicos, sendo um centro de referência nacional para o diagnóstico e tratamento das escolioses;
- Na Endocrinologia, com programas de grande actualidade e relevo na área da Tiróide, Obesidade e Diabetes, entre outras;
- Na Medicina Física e Reabilitação – pela competência dos seus profissionais e diversidade técnica das respostas, sendo o único serviço com internamento, na área Metropolitana de Lisboa, pertencente ao SNS;
- Nos Cuidados Intensivos – dispondo de uma unidade polivalente de 18 camas, com elevada diferenciação da sua casuística e excelentemente instalada e equipada;
- É, em geral, uma unidade hospitalar dotada de serviços e profissionais altamente diferenciados numa cultura de forte humanização e qualidade na prestação de cuidados, e aberta à comunidade que serve.
Em Abril de 2010, com a publicação do Decreto-Lei n.º 21 de 24 de Março, o Hospital vê o seu estatuto de sector público – administrativo alterado, tendo passado a entidade pública empresarial.
A 27 de Dezembro de 2011 é encerrado o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico e Psiquiátrico, passando o mesmo a ser realizado no Serviço de Urgência do CHLC. Conjuntamente foi encerrada também a Unidade de Intervenção Vascular.
A 01 de Março de 2012, o Decreto-Lei n.º 44/2012 de 23 de Fevereiro entra em vigor e altera a composição do Centro Hospitalar de Lisboa Central – CHLC, EPE integrando outros dois hospitais: o Hospital de Curry Cabral, EPE e a Maternidade Dr. Alfredo da Costa – SPA.
Consta que a obra especial de protecção e defesa da mulher grávida terá tido início no ano de 1755, após o terramoto que destruiu mais de metade da cidade de Lisboa. Um dos edifícios destruídos, não só pelo terramoto mas também pelo incêndio subsequente, foi o Hospital de Todos os Santos cujos enfermos tiveram de ser transferidos para o Colégio de Santo Antão.
Este edifício fora em tempos a principal casa dos Jesuítas, tendo sido confiscada, com todos os outros bens, em execução do Decreto Pombalino que os expulsara do reino. O edifício do Colégio de Santo Antão viria a ser convertido no Hospital Real de São José.
Das nove enfermarias de mulheres existentes neste hospital, uma foi destinada a grávidas e a puérperas. Esta enfermaria, que foi chamada de Santa Bárbara, tinha quarenta e duas camas e situava-se num extenso corredor interior, comprido e estreito, mal iluminado e deficientemente ventilado.
Alguns anos mais tarde, a enfermaria de Santa Bárbara foi transferida para um espaço mais amplo e arejado, num andar superior do mesmo edifício, ficando com cinquenta e cinco camas.
Foi neste espaço que o professor Alfredo da Costa, com outros grandes mestres, distribuíram o seu saber pelas mulheres e alunos. Porém, com o decorrer do tempo as deficiências iam-se agravando. As inadequadas instalações e a carência de muito material indispensável ao bom funcionamento da enfermaria de Santa Bárbara eram as maiores preocupações.
Em 1906, na qualidade de director da Maternidade de Santa Bárbara, o Professor Alfredo da Costa não se cansava de pedir apoios ao Enfermeiro-Mor dos Hospitais, o médico Curry Cabral, seu amigo e companheiro de consultório.
Desesperado por não conseguir melhorar as condições indignas em que as grávidas e puérperas viviam na Maternidade, elaborou um exaustivo relatório, onde na sua introdução começava por questionar “Maternidade ou antecâmara de um inferno feminino?”. Entregou este documento ao Conselho da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, mesmo sabendo-se sujeito à malquerença “de quem de direito”.
Em 2 de Abril de 1910 falecia o ilustre professor, sem ter visto realizado o sonho que acalentava desde 1898, ano em que assumiu a regência da cadeira de Obstetrícia da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, para o qual sempre com tanta dedicação e entusiasmo trabalhara.
Em 15 de Maio de 1910, amigos e admiradores formam uma comissão de homenagem ao Professor Alfredo da Costa, que outra não podia ser do que a efectivação do sonho de toda a vida.
A sua concretização, sob o projecto inicial do arquitecto Dr. Ventura Terra, ficou a dever-se ao empenho dos Professor Dr. Augusto Monjardino e Professor Dr. Costa Sacadura que vieram respectivamente a desempenhar as funções de Director e Subdirector da Maternidade.
No dia 31 de Maio de 1932, é inaugurada a Maternidade de Lisboa sob o nome titular, em justíssima homenagem à vida e à obra de quem por ela primeiro lutara, o Dr. Alfredo da Costa. E no dia 5 de Dezembro de 1932 abre finalmente ao público.
A lotação inicial da Maternidade era de 300 camas, 250 das quais destinadas a Obstetrícia e 50 a Ginecologia. Entretanto, observou-se um movimento muito rápido de crescimento e o número de grávidas com assistência médica pública sextuplicou logo no l° ano.
A Maternidade evoluiu e tornou-se também num centro de assistência médico-social e de trabalho científico.
Na altura, já era considerada um marco de qualidade na prestação de cuidados obstétricos e neonatais em Portugal.
Desde a sua abertura, até ao ano de 2005 nasceram na Maternidade Dr. Alfredo da Costa mais de 540 mil crianças, número que tem feito desta instituição a maior de Portugal.
Todavia, o seu papel tem ido muito mais além do que a assistência a nascimentos e tem sabido acompanhar a evolução científica bem como adaptar-se aos novos desafios do Século XXI.
O Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE foi criado em 28 de Fevereiro de 2007 através do Decreto-lei 50-A/ 2007 e juntou o Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central – Hospitais de S. José e Hospital de Santo António dos Capuchos – e os Hospitais de Santa Marta e de D. Estefânia.
O Decreto-Lei nº44/2012 de 23 de Fevereiro de 2012 procede à extinção e integração por fusão no Centro Hospitalar de Lisboa Central, E. P. E., do Hospital de Curry Cabral, E. P. E., e da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.
A história destes hospitais remonta ao longínquo século XV e nasce no Hospital de Todos-os-Santos pelo que é por aí que deve começar esta história.
Com o terramoto de 1755 e a destruição de Todos-os-Santos surge o Hospital de S. José que, durante o final do século XIX e inicio do século XX, veio a agregar em torno de si um conjunto de outros hospitais dando origem inicialmente ao grupo H.S. José e Annexos e posteriormente ao grupo Hospitais Civis de Lisboa (HCL) em 1913.
Em 1989 deu-se a separação dos Hospitais Civis de Lisboa em diferentes hospitais mantendo-se como único grupo, o Subgrupo Hospitalar Capuchos, Desterro e Arroios.
O Hospital dos Capuchos passou a dispor de Serviço de Urgência em 1991 na sequência do processo de descentralização do Serviço Comum de Urgência dos HCL, localizado no Hospital de S. José.
A necessidade de potenciar, através de uma gestão comum, as capacidades disponíveis nas unidades hospitalares e para dar resposta a insuficiências múltiplas de rentabilização de recursos originou a criação do Centro Hospitalar de Lisboa – Zona Central (CHL-ZC), através da Portaria n.º 115-A/2004 de 30 de Janeiro. Foram assim extintos o Hospital de São José e o subgrupo hospitalar Capuchos, Desterro, Arroios.
Durante todo este processo foram encerrados os Hospitais de Arroios e do Desterro.
Se esta foi a história de como surgiu o actual Centro também importa conhecer a história de cada um dos hospitais que o constituem.