Hospital de Todos os Santos antes de 1755

Este edifício fora em tempos a principal casa dos Jesuítas, tendo sido confiscada, com todos os outros bens, em execução do Decreto Pombalino que os expulsara do reino. O edifício do Colégio de Santo Antão viria a ser convertido no Hospital Real de São José.

Das nove enfermarias de mulheres existentes neste hospital, uma foi destinada a grávidas e a puérperas. Esta enfermaria, que foi chamada de Santa Bárbara, tinha quarenta e duas camas e situava-se num extenso corredor interior, comprido e estreito, mal iluminado e deficientemente ventilado.

Alguns anos mais tarde, a enfermaria de Santa Bárbara foi transferida para um espaço mais amplo e arejado, num andar superior do mesmo edifício, ficando com cinquenta e cinco camas.

Foi neste espaço que o professor Alfredo da Costa, com outros grandes mestres, distribuíram o seu saber pelas mulheres e alunos. Porém, com o decorrer do tempo as deficiências iam-se agravando. As inadequadas instalações e a carência de muito material indispensável ao bom funcionamento da enfermaria de Santa Bárbara eram as maiores preocupações.

Em 1906, na qualidade de director da Maternidade de Santa Bárbara, o Professor Alfredo da Costa não se cansava de pedir apoios ao Enfermeiro-Mor dos Hospitais, o médico Curry Cabral, seu amigo e companheiro de consultório.

Desesperado por não conseguir melhorar as condições indignas em que as grávidas e puérperas viviam na Maternidade, elaborou um exaustivo relatório, onde na sua introdução começava por questionar “Maternidade ou antecâmara de um inferno feminino?”. Entregou este documento ao Conselho da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, mesmo sabendo-se sujeito à malquerença “de quem de direito”.

Em 2 de Abril de 1910 falecia o ilustre professor, sem ter visto realizado o sonho que acalentava desde 1898, ano em que assumiu a regência da cadeira de Obstetrícia da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, para o qual sempre com tanta dedicação e entusiasmo trabalhara.

 Dr. Alfredo da Costa 1859-1910

Em 15 de Maio de 1910, amigos e admiradores formam uma comissão de homenagem ao Professor Alfredo da Costa, que outra não podia ser do que a efectivação do sonho de toda a vida.

A sua concretização, sob o projecto inicial do arquitecto Dr. Ventura Terra, ficou a dever-se ao empenho dos Professor Dr. Augusto Monjardino e Professor Dr. Costa Sacadura que vieram respectivamente a desempenhar as funções de Director e Subdirector da Maternidade.

No dia 31 de Maio de 1932, é inaugurada a Maternidade de Lisboa sob o nome titular, em justíssima homenagem à vida e à obra de quem por ela primeiro lutara, o Dr. Alfredo da Costa. E no dia 5 de Dezembro de 1932 abre finalmente ao público.

Fachada e Pátio Interior da MAC em 1932

A lotação inicial da Maternidade era de 300 camas, 250 das quais destinadas a Obstetrícia e 50 a Ginecologia. Entretanto, observou-se um movimento muito rápido de crescimento e o número de grávidas com assistência médica pública sextuplicou logo no l° ano.

Alguns interiores da MAC em 1932

A Maternidade evoluiu e tornou-se também num centro de assistência médico-social e de trabalho científico.

Na altura, já era considerada um marco de qualidade na prestação de cuidados obstétricos e neonatais em Portugal.

Desde a sua abertura, até ao ano de 2005 nasceram na Maternidade Dr. Alfredo da Costa mais de 540 mil crianças, número que tem feito desta instituição a maior de Portugal.

Todavia, o seu papel tem ido muito mais além do que a assistência a nascimentos e tem sabido acompanhar a evolução científica bem como adaptar-se aos novos desafios do Século XXI.