Pela primeira vez desde 2012 conseguimos reverter o declínio ao nível do investimento. As verbas aplicadas em obras e equipamentos, que não iam além de um por cento do orçamento anual e chegaram a não superar 0,5% em 2013, passaram em 2017 a corresponder a uma fatia de 4% (dados provisórios). Dito de outro modo, os novos equipamentos – por exemplo, de ressonância magnética, radiologia de intervenção, coração vasos e tórax, urgência e cuidados intensivos, anestesiologia e blocos operatórios e gastrenterologia – e as obras para acomodação destas tecnologias, as da urgência e oftalmologia pediátricas e pedopsiquiatria, as melhorias na acessibilidade à Consulta Externa, entre outras, somaram, em 2017, 16.005.418 euros contra os 3.252.964 que foram usados em 2016 para fins idênticos. Estamos a falar de uma taxa de crescimento em investimento que se aproxima dos 500%.

Conseguiu-se interromper o ciclo de desinvestimento graças ao esforço do CHLC no seu todo, do Ministério da Saúde e dos serviços centrais - a ACSS e a ARSLVT. Com efeito, o empenho na resolução das carências prioritárias nas seis unidades hospitalares do CHLC conduziu à procura de fontes de financiamento alternativas às sempre escassas verbas constantes no orçamento inicial.

Do referido investimento total realizado em 2017, 14.927.753 euros destinaram-se à aquisição de equipamentos médico-cirúrgicos, 491.248 euros foram aplicados na compra de equipamentos diversos (não médicos) e 586.417 em obras de beneficiação ou remodelação. Da verba aplicada em melhorias no atendimento dos nossos doentes, um pouco mais de 11 milhões de euros foram auto-investimento (70%) e 4,8 milhões tiveram origem, principalmente, em fundos comunitários (30%).

O CHLC continuará a desenvolver todos os esforços conducentes ao aumento do nível de investimento. Em 2018, perspectiva-se que essa rubrica se situe acima dos oito milhões de euros. Desta verba, 11,8% serão auto-investimento em equipamento médico-cirúrgico, material informático e outro; 24,2% vão destinar-se a investimentos infraestruturais (ex. redes de água) e 64,1% respeitam a candidaturas diversas e à conclusão do POR LISBOA 2020.

É preciso deixar claro que o essencial dos investimentos em curso já foi projetado para serem transferidos para o novo Hospital, que deve ficar pronto em 2022/2023. Este é o nosso horizonte, a nossa reserva de energia, a razão do nosso otimismo.

Os investimentos, quantos deles inadiáveis, foram feitos sem prejuízo das nossas práticas assistenciais. Aqui, subimos o número de primeiras consultas e bateram-se recordes nos transplantes. Temos mais profissionais connosco, ainda que algumas carências teimosamente nos aflijam a todos. E continuamos preocupados com o facto de não respondermos de forma clara aos desafios que nos impõe uma sociedade envelhecida e ainda vulnerável: os tempos de espera para cirurgias ou consultas estão, em muitos casos, acima do recomendado; as listas de doentes que aguardam cuidados ainda são muito grandes. Temos de saber reformar aspectos organizacionais de modo a combater as nossas fraquezas e servir melhor quem nos procura.

Somos um Centro Hospitalar de referência para Lisboa e para o País que se prepara, passo a passo, para um futuro inúmeras vezes adiado. Dentro de quatro-cinco anos - em breve, portanto - vamos deixar a dispersão, as duplicações, as obras de manutenção que se impõem sem descanso nem aviso, as incertezas e os desânimos.

Estamos, pois, otimistas e convictos de que focados nos cidadãos que tratamos, curamos e aliviamos, com a ajuda inestimável de todos os profissionais do CHLC, a nossa/vossa missão será bem-sucedida enquanto parte deste nosso SNS.

Ana Escoval

Presidente do Conselho de Administração

Lisboa, 1 de fevereiro de 2018